Apesar do nome que remete a uma das tradições mais queridas do Nordeste - se não a mais - , o tal São João de Massayó está longe de ser uma verdadeira festa junina. Ainda que conte com algumas atrações ligadas à música regional, como grupos de forró e artistas da terra, o evento tem se afastado das raízes culturais que justificariam seu título.
Uma festa junina autêntica vai muito além de palcos grandiosos e grandes nomes da música nacional. Ela é feita de fogueira, bandeirolas, comidas típicas, quadrilhas, trios de forró pé de serra, sanfona, zabumba e cheiro de milho-cozido no ar. É uma celebração que mistura religiosidade, tradição e identidade popular. É o tipo de festa em que o povo se reconhece e se sente parte de algo maior.
No entanto, o que se vê em Massayó é um espetáculo mais voltado ao entretenimento comercial do que à valorização da cultura nordestina. O forró, que deveria ser o protagonista, divide ou até perde espaço para estilos que nada têm a ver com o São João. E o pior: tudo isso sob uma estética que parece ter sido pensada mais para impressionar do que para emocionar.
Críticas nas redes sociais:
Em suas redes sociais, o vereador por Maceió, Rui Palmeira,classificou o evento como "O São João da Irresponsabilidade".
E o público?
Bem! O público não mudou. Ele irá a qualquer evento que prometa um grande espetáculo. Basta anunciar atrações de peso que a multidão aparece — seja Carnaval, Natal, Réveillon ou um São João que, na prática, não tem nada de São João.
A cultura? Que espere. A tradição? Que se esconda. No lugar da sanfona, da quadrilha e do milho assado, entram os hits do momento e estruturas de festival padrão. E ninguém parece se importar. Afinal, para muita gente, festa é festa — o nome é só detalhe.
Mas há quem jure que, por trás dessa cortina de luzes e fumaça, tudo é feito com o mais alto rigor técnico e retorno garantido. É o que dizem os superdotados na arte de criar números. Segundo os especialistas da "viúva" — como é conhecida carinhosamente a fonte inesgotável de recursos públicos —, o suposto desperdício de tantos milhões de reais, curiosamente, se transforma em um faturamento faraônico, de toneladas de milhões. Não me perguntem como se chega a esses números. A matemática deles é outra, feita com régua de conveniência e calculadora política.
No fim das contas, sobra pouco do São João — e muito do show. Cultura vira vitrine, o povo aplaude, e os cofres... bem, os cofres viram manchete.
Por: Jornalista Jerlane C. de Melo
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