Parcialidade de Gaspar coloca em xeque CPMI do INSS

Relatório do deputado alagoano foi rejeitado por 19 votos a 12, e comissão terminou sem documento final após críticas de omissão, viés político e blindagem de aliados do bolsonarismo

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Relatório rejeitado virou alvo de críticas por omissões

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS terminou sem relatório final aprovado após a rejeição, por 19 votos a 12, do parecer apresentado pelo deputado federal Alfredo Gaspar. Com a derrota do texto na madrugada deste sábado, 28 de março de 2026, o presidente do colegiado, senador Carlos Viana, encerrou os trabalhos sem submeter à votação o relatório alternativo elaborado por parlamentares da base governista. 

O desfecho da comissão expôs não apenas o impasse político em torno das fraudes investigadas no pagamento de aposentadorias e pensões, mas também aprofundou questionamentos sobre a imparcialidade da condução dos trabalhos. Parlamentares contrários ao parecer sustentaram que o texto de Gaspar teria adotado recorte político seletivo, concentrando responsabilidades em figuras ligadas ao governo Lula e deixando em segundo plano fatos, alertas e omissões apontados em relação ao período de 2019 a 2022. 

 

 

 

 

 

O relatório rejeitado tinha mais de 4 mil páginas e pedia o indiciamento de 216 pessoas. Entre os nomes citados estavam Fabio Luís Lula da Silva, o Lulinha, o ex-ministro Carlos Lupi, o senador Weverton Rocha, o banqueiro Daniel Vorcaro e o empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. A amplitude da lista, somada ao pedido de prisão preventiva de Lulinha, elevou a temperatura política da CPMI e ampliou as críticas de que o documento teria se afastado do equilíbrio esperado de uma comissão de inquérito. 

A base governista reagiu com um relatório paralelo, chamado de “Relatório da Maioria”, no qual defendeu que o esquema de fraudes se estruturou e ganhou escala sobretudo entre 2019 e 2022, durante o governo Jair Bolsonaro. Esse texto, no entanto, não chegou a ser lido nem votado, porque o encerramento da comissão foi determinado logo após a rejeição do parecer oficial. 

A decisão de Carlos Viana de encerrar imediatamente os trabalhos também virou alvo de contestação. Senadores e deputados da base tentaram fazer prevalecer a apreciação do relatório alternativo, mas o presidente da CPMI não acolheu o pedido. Na prática, a comissão encerrou seus 180 dias sem um documento final aprovado, o que esvaziou o resultado institucional de meses de investigação e reforçou a percepção de um colegiado marcado mais por disputa política do que por consenso técnico. 

No centro da controvérsia está justamente a acusação de parcialidade dirigida ao relator. O argumento dos críticos é que o parecer de Alfredo Gaspar omitiu o peso de alertas feitos ainda no governo anterior sobre descontos indevidos e falhas de fiscalização, além de não aprofundar a eventual responsabilidade política de agentes ligados à gestão passada. Sob essa ótica, a rejeição do texto representou menos uma vitória numérica da base governista e mais uma derrota da credibilidade do relatório apresentado. 

Outro ponto explorado pelos governistas foi a narrativa de que a reação efetiva ao esquema teria ocorrido apenas no atual governo, com ações da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União no âmbito da Operação Sem Desconto. Dados oficiais divulgados pelo próprio INSS e em audiência no Senado apontam que mais de 4 milhões de aposentados e pensionistas já receberam ressarcimento, em montante superior a R$ 2,8 bilhões. 

Ao fim, a CPMI do INSS encerra sua trajetória sob forte desgaste. Em vez de produzir um relatório capaz de consolidar responsabilidades e apontar caminhos institucionais para evitar novas fraudes, a comissão terminou envolta em acusações cruzadas, disputa narrativa e suspeitas de blindagem política. Para a oposição, houve uma derrota do esforço de responsabilização. Para os governistas, caiu um parecer considerado tendencioso. Para a sociedade, ficou a imagem de uma comissão que, incapaz de construir um desfecho minimamente consensual, terminou colocando sua própria legitimidade em xeque.

 
FONTE: Por ddd82.com.br